Notícias

Parceria da Prefeitura com a Câmara Municipal homenageará Lucília Guimarães Villa-Lobos e mulheres que se destacaram na história local

Uma parceria da Prefeitura de Paraíba do Sul com a Câmara Municipal irá homenagear Lucília Guimarães Villa-Lobos (1866-1966), a mulher que influenciou a arte de Villa-Lobos. Uma comenda criada por ambos os poderes leva o nome da pianista e servirá para condecorar sul paraibanas que prestam relevantes serviços e ações ao município durante comemorações alusivas ao Dia da Mulher.

A entrega da Medalha Lucília Guimarães Villa-Lobos acontecerá no dia 30 de Abril, data onde é comemorado o Dia Nacional da Mulher. A solenidade também irá abrir a “Exposição Biográfica Elas Fazem História”, que irá contar a vida de mulheres que entraram para os anais da história de nossa terra querida.

Para o prefeito Doutor Alessandro, resgatar o nome de Lucília é de fundamental importância para o engrandecimento da história da cidade: “Lucília Guimarães Villa-Lobos é um ícone da história da música brasileira. Foi ela quem ensinou e inspirou seu marido, Heitor. Ela está presente no Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, em livros de diversos historiadores, mas aqui em sua cidade natal, lugar onde ela nasceu e morreu ela não é lembrada e pouco conhecida. Essa união do legislativo com o executivo para homenageá-la é mais do que justa. A partir de hoje, a mulher que não tinha uma rua sequer em seu nome passa a ter uma comenda que homenageará outras mulheres que também deixam legados, prestação de serviço social e, principalmente, contribuição para a história de nosso município. ” – frisou o prefeito.

A Exposição Biográfica também contará a história de outras mulheres com legado histórico na cidade, como Condessa do Rio Novo, Deolinda Pantolla de Carvalho, dentre tantas outras mulheres de nosso município. A iniciativa está sendo desenvolvida pela Secretaria de Comunicação em parceria com a Fundação Cultural e Câmara Municipal. Ela acontecerá no saguão do Palácio Tiradentes (sede do poder legislativo) do dia 30/04 a 04/05 e será aberta ao público.

 

 

Lucília Guimarães passará a ser um ícone da história de Paraíba do Sul: conheça um resumo de sua história

Durante uma viagem à Europa, em 1936, o músico Heitor Villa-­Lobos surpreendeu sua mulher com uma carta em que pedia o divórcio. Estavam casados havia 22 anos. Ele avisava que não voltaria ao lar, nem mesmo para pegar suas coisas ou ter uma conversa pessoal. Os motivos alegados eram vagos, mas um deles o maestro considerava infame: “Deixar pairar no espírito de muita gente mal informada do meu verdadeiro valor artístico, não só técnico como cultural e moral” a insinuação de que “tudo que sei e que sou devo a si unicamente”. A razão da separação era outra – chamava-se Arminda, sua secretária, loira e 25 anos mais jovem, com quem ele tinha um caso extraconjugal. Mas a carta expunha um incômodo real para um artista orgulhoso da própria obra como Villa-Lobos.

Sua primeira companheira, Lucília Guimarães Villa-Lobos, era uma pianista virtuosa, formada no Instituto Nacional de Música, aluna de um discípulo de Chopin e profunda conhecedora do instrumento. Quando se casaram, em 1913, Villa-Lobos mal tocava piano – seus instrumentos eram o violão e violoncelo. Ele nunca viria a ter uma formação musical clássica. Apesar disso, além de música de orquestra, é autor de uma centena de composições para piano, obra que pela inventividade é considerada uma das mais importantes do século XX – logo nos primeiros trabalhos exibe, segundo os críticos, um profundo conhecimento das minúcias e dos segredos do instrumento. Nessas circunstâncias, os detratores de Villa-Lobos não tardaram a sugerir que o mérito dessa genialidade devia-se à mulher.

A conturbada separação atirou Lucília no ostracismo. Dois anos depois, Villa-Lobos já vivia com Arminda e dedicou a ela mais de 50 composições, incluindo a série das Bachianas brasileiras, sua obra mais conhecida. Para a primeira mulher dedicara apenas duas. Depois da separação, o compositor ganhou grande projeção no Brasil e no exterior. Lucília foi a companheira dos anos difíceis, apresentou obras do marido em vários concertos, inclusive na Semana de Arte de 1922, quando as músicas dele eram vaiadas e consideradas incompreensíveis pela crítica tradicional. Arminda pegou os anos de glória e assumiu a posição de mulher oficial em altas-rodas regadas a champanhe. Envergonhada por ter sido substituída, Lucília mudou-se para o interior. Foi ser professora de crianças e morreu sozinha em Paraíba do Sul, no interior fluminense, sua terra natal. Não aceitou o divórcio, preservando o sobrenome do marido até o fim da vida.

Depois de sua morte, os parentes reivindicaram o reconhecimento do papel dela na carreira do maestro. O irmão da pianista, Luiz Guimarães, escreveu que os primeiros trabalhos para piano solo de Villa-Lobos eram criações conjuntas com Lucília. E que duas obras dessa época foram de “inteira autoria” dela. Ele não diz quais são. Era uma visão contaminada pelo rancor em relação ao destino da irmã. No entanto, a musicista Lisa Peppercorn, amiga do maestro, escreveu que Villa-Lobos tinha dificuldades em transcrever suas ideias para os instrumentos e Lucília o ajudava, tocando piano. Recentemente, a pesquisadora americana Mary Lombardi, em trabalho sobre Lucília, afirmou que “creditar somente a ele a autoria de suas composições para piano é um exagero”.